segunda-feira, 28 de maio de 2007

Ego

Volto. Mas não como eu.
Escrevo através de uma personagem de vida noturna.
Cabe nesta personagem a perversão, a violência, tecno-dance, rhythm and blues, cool jazz. Cocaína.
Veste-se de preto ou jeans.
Tem olhos felinos e percepções extra-sensoriais.
Enxerga além do breu.
Envolve-se em brumas de perfumes caros.
Carrega no pulso um bracelete de ouro puro.
Esta personagem também utiliza uma máscara.
Fala com cinismo e não medo dos atos cometidos a noite.
Conhece traficantes, prostitutas, michês, drogados.
Sua invulnerabilidade é garantida pela inteligência e mimetismo.
É capaz de antecipar atitudes.
É arrisco.
Whisky, vodka, coquetéis frozen, álcool forte. Narcóticos.
No dedo anular da mão esquerda, um anel, meio serpente, meio dragão.
Veneno e fogo. Letais.
Fuma e entre um trago e outro,
prende a fumaça do cigarro,
e sorve o copo, rápido,
ávido,
como se o líquido proporcionasse combustível para a sua áurea mística.
Aproxima-se de uns e repele outros.
Possui uma estranha e poderosa energia capaz,
em um ínfimo de tempo,
fulminar qualquer um que ultrapasse os limites impostos.
É imprevisível.
Escuta com atenção redobrada as conversas das mesas em redor.
Levanta-se, e sem licença, senta-se às mesas de estranhos e profetiza:
"acontecerá algo com você e a partir deste momento (o agora) e você não será mais o mesmo."
Lançado o vaticínio, retira-se deixando perguntas, dúvidas e inquietações no ar.
E sabiamente deixa um rastro ou indicação do seu caminho...