segunda-feira, 28 de maio de 2007

Esqueci de explicar o porque (detesto as regras dos "porquês" - nunca sei quando é junto ou separado, com acento ou sem acento) do meu blog levar esse nome: Confessional. Simples. Uma música de Marina Lima, do álbum Virgem. Segue a letra:

Confessional
O tempo vai e eu tão só
Que mal sofrer sem ver você...
Me leva prá casa
E vê quanto prazer
Eu posso te dar
É só você querer

Me olha nos olhos
E diz só prá mim
Você também me amou
Tanto assim

O tempo vem foi só se olhar
Os olhos dizem tudo
Imagina tocar...
Te quero prá sempre baby
Acredita em mim
Jamais amei alguém tanto assim
Me molha e me beija
Que eu confesso enfim
Você é meu desejo
Minha vida e
Fim

Ego

Volto. Mas não como eu.
Escrevo através de uma personagem de vida noturna.
Cabe nesta personagem a perversão, a violência, tecno-dance, rhythm and blues, cool jazz. Cocaína.
Veste-se de preto ou jeans.
Tem olhos felinos e percepções extra-sensoriais.
Enxerga além do breu.
Envolve-se em brumas de perfumes caros.
Carrega no pulso um bracelete de ouro puro.
Esta personagem também utiliza uma máscara.
Fala com cinismo e não medo dos atos cometidos a noite.
Conhece traficantes, prostitutas, michês, drogados.
Sua invulnerabilidade é garantida pela inteligência e mimetismo.
É capaz de antecipar atitudes.
É arrisco.
Whisky, vodka, coquetéis frozen, álcool forte. Narcóticos.
No dedo anular da mão esquerda, um anel, meio serpente, meio dragão.
Veneno e fogo. Letais.
Fuma e entre um trago e outro,
prende a fumaça do cigarro,
e sorve o copo, rápido,
ávido,
como se o líquido proporcionasse combustível para a sua áurea mística.
Aproxima-se de uns e repele outros.
Possui uma estranha e poderosa energia capaz,
em um ínfimo de tempo,
fulminar qualquer um que ultrapasse os limites impostos.
É imprevisível.
Escuta com atenção redobrada as conversas das mesas em redor.
Levanta-se, e sem licença, senta-se às mesas de estranhos e profetiza:
"acontecerá algo com você e a partir deste momento (o agora) e você não será mais o mesmo."
Lançado o vaticínio, retira-se deixando perguntas, dúvidas e inquietações no ar.
E sabiamente deixa um rastro ou indicação do seu caminho...

D e D

D & D
Meu Deus possui asas de morcego e veste-se de negro. Meu Demônio possui asas de pássaro e veste-se de branco. Meu Deus e meu Demônio estabeleceram uma coexistência absurdamente pacífica. Nenhum me protege. Enquanto discutem o que desejariam de mim, o que poderiam fazer por mim, para mim, não tomam decisões. Eu os deixo em paz, observando a nossa convivência a tròis. Quanto estúpidos são. Não sabem que não confio neles, mas perdôo-os com a minha vingança, presenteando-os com as sobras do meu destino que nenhum dos dois soube traçar.



Incerto

Gostaria de ter o dom
ou facilidade de escrever
seja em prosa
seja em verso
em rimas perfeitas
ou versos livres
temas incertos
temas desconexos.
Passou-se o tempo
em que tudo
trazia gosto de novo
ou de aventura.
Tornaram-se opacos os brilhos
e a música já não soa como antes.
Os papéis amarelaram-se,
as fotos desvaneceram-se,
e as palavras
soltas,
foram levadas pelo vento.
Sei que nem sempre
afinei o ritmo ao destino.
Haverá fórmula para condução da vida?
Vês este frasco sobre a mesa?
Antes continha o mais puro perfume.
Coube ao tempo, transformá-lo em veneno
tão suavemente amargo,
que chamamos de paciência.
...
E assim contam-se os anos,
os meses, semanas, dias.
E a vida passa de mãos dadas
com a esperança (a louca enganosa)
na rendição que o próximo dia,
(que talvez não chegue)
faça por mim ou por nós,
tudo que por acaso,
por desleixo, tempo,
coragem ou até mesmo negação
deixamos de fazer por nós.
Escrever

Talvez porquê escrever seja um resgaste. As vezes sabemos com que palavra começar um texto ou poema. E a pena, ao sabor da brisa da inspiração, deixa-se correr. O mais interessante, é que grande parte daquilo que escrevemos é resultado de um apanhado de memórias que possivelmente nunca existiram. Nós criamos o nosso passado.