sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Fragmentos

Palavras de uma personagem, ainda sem nome, de um livro ainda não escrito, possivelmente em uma sessão com psicólogo, psiquiatra ou terapeuta.

"... os sentimentos confusos mostram-se incrivelmente coerentes dentro dos seus próprios conflitos..." "...andar sobre uma corda esticada sobre um abismo deve ser fácil pois a fatalidade é certeza e tão certeza única da vida é a morte..." "...e o engraçado de tudo isso é que eu a procuro (a morte) através das minhas mãos. Acho que somente eu posso decidir sobre isso, o quando e o como..." "...lutaria até o fim para sobreviver... não darei a ninguém a chance ou possibilidade de me matar..." "...talvez o medo suicida seja o medo da dor. Quem tem a alma já estraçalhada, despedaçada possivelmente procura uma forma indolor para chegar a morte..." "...geralmente em espirais ou círculos, atormentado vivo, e em cacos de vidros ou espelhos tento reconstituir um mosaico do que eu era antes ou do que projetei ser e ter. Mosaicos de espelhos são fragmentos e são fascinantes para quem já se despedaçou..." "a auto mutilação é uma representatividade do mosaico vivo..."

Presente Grego

Cavalo de Tróia. Pois somente agora entendi. Insisto: sou lento demais para algumas coisas... Nem sempre um presente é dado na condição de afeto, carinho, amor, reconhecimento. As vezes o presente dado é uma forma humilhação. Assim, cria-se, uma relação se subserviência. É uma forma sutil e perversa de dizer, sem palavras: Você tem isto porque eu te dei, portanto, de alguma maneira você pertence a mim e a mim deves o que você é...


Funeral Blues
W. H. Auden - from Twelve Songs

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.

The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood.
For nothing now can ever come to any good.

Funeral Blues - Tradução
Funeral Blues

Parem todos os relógios, calem o telefone,
jogue-se ao cão um osso para que não ladre mais,
emudeçam o piano e que o tambor sancione
a vinda do caixão com seu cortejo atrás.

Que os aviões, gemendo acima em alvoroço,
escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu.
Que as pombas guardem luto com um laço no pescoço
e os guardas de trânsito usem finas luvas cor-de-breu.

Ele era meu Norte, Sul, meu Leste, Oeste,
meus dias úteis, meu fim-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, fala e canto;
quem julga o amor como eterno, como eu fiz, se engana.

As estrelas não são necessárias, apaguem uma a uma
guardem a lua, desmontem o sol brilhante,
despejem o mar, joguem fora as florestas,
pois nada mais há de dar certo doravante.

(P.S.: Grato, Nanda!)

Mais Clarice

"Mesmo para os descrentes há a pergunta duvidosa: e depois da morte? Mesmo para os descrentes há o instante de desespero: que Deus me ajude... Venha, Deus, venha. Mesmo que eu não mereça, venha. Sou inquieto, ciumento, áspero, desesperançoso. Embora amor dentro de mim eu tenha. Só que eu não sei usar amor: às vezes parecem farpas. Se tanto amor dentro de mim recebi e continuo inquieto e infeliz, é porque preciso que Deus venha.Venha antes que seja tarde demais."
Esta música não me sai da cabeça por dias. É bem a cara do momento que estou passando. Lyrics & music by Caetano. Voice, blood and soul, Angela Rorô.

Escândalo

Mas, doce irmã, o que você quer mais?
Eu já arranhei minha garganta toda atrás de alguma paz
Agora nada de machado e sândalo
Eu já estou sã da loucura que havia em sermos nós
Também sou fã da lua sobre o mar
Todas as coisas lindas dessa vida eu sempre soube amar
Não quero quebrar os bares como um vândalo
Você que traz o escândalo irmã luz
Eu marquei demais, tô sabendo
Aprontei de mais, só vendo
Mas agora faz um frio aqui. ..
Me responda, tô sofrendo
Rompe a manhã da luz em fúria arder
Dou gargalhada, dou dentada na maçã da luxúria, pra quê?
Se ninguém tem dó, ninguém entende nada
O grande escândalo sou eu aqui só.
Mamãe, eu já marquei demais, tô sabendo
Aprontei de mais, só vendo
Mas agora faz um frio aqui
Me responda, tô sofrendo
Rompe a manhã da luz em fúria arder
Dou gargalhada, dou dentada na maçã da luxúria, pra quê?
Se ninguém tem dó, ninguém entende nada
O grande escândalo sou eu aqui só.
, e tomando Clarice, inicio este texto com uma vírgula para que você saiba que é um texto inacabado e como afirmariam os eruditos, inconsistente aristotelicamente. Não existe espaço, tempo. Apenas as sensações. Ouso assustar, traço persistente da minha personalidade, quem sabe doentia e delinear (como fosse possível) aquilo que ao se revelar se torna óbvio no cotidiano não nítido. No medo de perder as palavras recorro a estratagemas do uso das reticências. Permita-me, que a compreensão do eu consiste nas colagens e reconstruções: repito-me inúmeras vezes. Escrevo mais com as minhas reticências... falo mais com o meu silêncio. Sei que incomodarei pois o gosto das minhas verdades (invento-as) tem o sabor das raízes mais amargas. O profundo conhecimento do eu não pode ser refletido em um espelho, mas somente na íris da alma. Generalizando, o eu é de difícil significado. O eu é a verdade mais dolorida da existência de cada um ser o seu próprio ser em seu ínfimo ou infinita análise. Crispa-me a pele do mesmo modo quando um gato depara-se frente uma ameaça. Revelar-se é experiência ameaçadora: é como ser reparido, mas somente que, neste momento, você é o ser que dá a vida a si mesmo. Pergunto-me e pergunto-te: será isto um recriar? Penso: o que poderei revelar mas minhas verdades inventadas? Existir causa-me ânsias... e da mesma maneira pela qual comecei este texto poderei terminá-lo. Quero e não quero definir nada Não quero perdão. Não quero compreensão. Não quero compaixão. Quero o sentimento que não faz sentido, pois a existência (dorida) ainda, para mim, continua sem sentido. Digo que apenas sinto, e não delimito. Vejo necessidade, mas não a praticidade. Preciso do imediatismo às minhas respostas que surgem antes mesmo das perguntas. Antecipo-me, precipitadamente, a aquilo que nem sei o que quero pensar, falar, agir. Existe uma compulsão: sou impelido de maneira quase "transe-única" à catarse de um orgasmo do meu eu mais interior. Sinto (repetirei essa palavra inúmeras vezes e tantas vezes quando achar necessário) que me transfiguro na mais pura das substâncias ainda desconhecida e diluo-me em fragmentos de moléculas nas coisas que me cercam. Construo uma sinfonia a partir do seu intermezzo pois não sei o início e deixo que a intuição detenha-se na capacidade de achar ou não a necessidade de um final. Os instrumentos desta orquestra são personagens que surgirão e desaparecerão com ou sem motivos. Estou asfixiado em turbilhões de idéias aparentemente caóticas mas de um traçado matematicamente perfeito. No universo do eu as coisas não funcionam da maneira a qual foram determinadas a funcionar...
F.A.Q.
Antecipando-me às perguntas, resolvir montar uma F.A.Q. (Frequently Asked Questions ou Perguntas Frequentemente Feitas).

1. Porque criar um blog?
Para manter-me contextualizado.
2. Porque Confessional?
Música de Marina Lima, do CD Virgem, que me chama atenção pela entrega total. Um apelo. Tremendamente sensual, com letra fácil. Um puto sentimento complicado escrito de maneira virginiana.
3. O que você pretende com um blog?
Postar coisas do dia-a-dia besta que vou levando.
4. Você gosta de escrever?
Bastante. Mas só quando estou com vontade ou deprimido. É uma característica bem pessoal. Em estado de tristeza ou pressão, eu funciono bem melhor.
Nereida
E estando tão atarefada com o trabalho doméstico e com os gritos das crianças, lembrou que não seria mais possível depositar o dinheiro no caixa eletrônico. Resolveu ir a padaria. Enquanto se penteava, dava ordens a empregada: Prepare para o jantar arroz com passas e castanhas, filé de peito de frango e uma salada de legumes crus.

Perfumou-se levemente, pegou a bolsa, as chaves do carro. No elevador, aquela sensação de perda. Já na portaria achou melhor caminhar. Deixaria o carro na garagem, pois, afinal, uma caminhada faria bem. Andando pelo calçadão, notou, pela primeira vez, ao longe, quase que no horizonte, um minúsculo ponto. Intrigada, sentou-se na balaustrada de cimento, próximo ao vendedor de água de coco. Pouco a pouco o que era um minúsculo ponto, põe-se delineando melhor. Era alguém nadando. Levantou-se, desceu até a praia, descalçou-se e pisando na areia fofa encaminhou-se até a beira do mar.

Novamente aquela sensação... O sol ainda estava quente. Molhou os pés. Foi neste momento que percebeu uma imensa cauda de peixe, em frêmito, debatendo-se na arrebentação. Por um instante, pensou que estivesse louca. Foi então que compreendeu tudo e, despindo-se, mergulhou. Percebeu que a cada braçada, ganhava mais impulso. Não sabia que nadava tão bem. Refez-se, pôs a cabeça para o alto, entoou uma antiga melodia esquecida por séculos, ergueu os braços... Não era mais a mesma. Voltou a sua antiga forma e essência prosseguiu em direção ao sol, ao lado do tritão.
Baixo-ventre
Texto de Bruna Lombardi in
"O Perigo do Dragão"


Eu não aguentava mais de amor por você
tava ardendo de vontade de você
você há de me querer
há de tentar, se atrever
mesmo se for um delito, se for errado
maldito, amaldiçoado
mesmo que o céu nos castigue
com um eterno eclipse
e que venha o caos, satã, o fim de tudo
o cataclismo, o apocalipse
e a gente se culpado
porque não soube resistir à tentação
eu não quero me livrar desse pecado
e me salvo através dessa paixão.
Mais sonhos
Um vizinho chega a minha janela. Na mão, preso por corrente uma enorme fera, pelos crespos, olhos cinzentos, dentes de sabre, grande como um tigre e que late. O animal consegue com um só golpe (uma patada) derrubar a grade da janela enquanto corro para a cozinha e fecho a porta tentando salvar a minha pele (na verdade, minha integridade física). O vizinho ri do meu desespero. O animal avança contra a porta da cozinha, estraçalhando-a com as garras afiadas. Acordo com taquicardia.
"Quando sozinhos, vigiemos nossos pensamentos; em família, nosso gênio; em sociedade, a nossa língua."
Baronesa Anne Louise Germaine de Stael-Holstein (Madame d'Staël), Escritora, França, 1766-1817
Sábia, muito sábia... "sapitiencisssssissssima..."
... e eu que não sei fazer nada disso???!!!???

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Não tarda chegar mais uma vez,
uma decisão a tomar.
entre espadas, cruz e fogo...
Indecisão.

Tenho os instrumentos que preciso.
Sei as fórmulas
e as combinações
perfeitamente letais.

Mas há o medo.
Talvez não seja hora
porque está tudo ermo
e eu me tornei figura
de uma sombra ou rascunho
de mim mesmo.

O que me falta?
O que me sobra?
O que me dói tanto?

Meu barco está sem velas e também não há vento.
Não sei em que cais aportar.
O oceano, imenso, é apenas calmaria na superfície.
Revolto sob a quilha...
Vejo uma ilha no horizonte
que se afasta quando tento me aproximar...

Vou recolher meus papéis
minhas aquarelas
meus pincéis
as telas de cores fortes
apagar a luz
dois comprimidos
um copo dágua.
Talvez durma...
Talvez sonhe.
Despertarei mais uma vez,
em mais uma manhã, vazia.
Esperarei pela tarde, vaga.
E a noite estarei
possivelmente
sem barco,
sem cor,
talvez somente sombra
e com a presença,
quase permanente e insistente
da ausência.
Hoje, levei um tiro
que não foi de misericórdia.
Se queres ser feliz,
deve-se ter como máxima,
a frase de Sarte:
"O inferno são os outros!"
Pois fez tanto luar, ontem
Com a lua a desabar tão pesadamente sobre as árvores
que alguns pássaros cantilenavam, delicadamente
como anunciando um falso amanhecer.
A luz azulada atravessou a janela do meu quarto
e projetou através da cortina
estranhas figuras na parede amarelada pelo tempo...
Observei tudo em silêncio.
Respeitei a noite.
Engoli saliva e lágrimas e
entre pensamentos e calor nas mãos
cerrei os olhos, joguei uma manta para aquecer o frio dos meus pés,
guardei o sentimento
transformei em texto, e finalmente,
adormeci com o primeiro bater de asas e arrulhar
de um pombo que partiu de madrugada
sabe-se para onde...
Mais um dia.
Para uns, esperança.
Para outros, trabalho.
Para tantos, renovação.
Para mim, vazio.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Porque machuca tanto a certeza da incerteza do amanhã?
Beca:Este texto foi escrito para você. Autoria: Eu. Inspiração: Dor e seus textos. Sentimento: o mais puro. Ainda não está concluído. É somente um trecho.

Menininha levada,mulher forte...
Mulher que acredita ainda em sonhos de criança.
Palavra forte na boca de criança.
Mulher frágil em sentimentos mais profundos.
Deusa que se transmuta ora criança, ora mulher.
Amazona cega
que cavalga em um corcel negro
hora unicórnio, ora pégasus
em abismos e precipícios.
Menininha forte
sem medo de palavras.
Mulher frágil mortalmente ferida
sangrando a alma
sem ser compreendida.
Quem entende os deuses?És deusa!
Navegas teu barco
em ventos fortes
com todas as velas abertas
pois sois o vento,o grito silencioso da noite,
as vagas e turbilhões dos
mares ocultos dos raios sem trovões,
das fúrias internas,
de um coração imaterial
trespassado por flechas
de um mundo
que ainda acreditas
ser melhor sem você?
És mulher ou menininha
quando choras sozinha?
Por quem clamas, deusa
ao ergueres tua espada
e lançar suas fúrias
ao dizeres verdades
somente a quem amas?
Oh, menininha e mulher
lanças seu feitiço,
seu encantamento
seu perfume e seus venenos.
Atormentai os dias,
escureces esse sol
derrubais essas estrelas.
Ergas a lua cheia
escondida no horizonte
sob o mar, imenso, de tuas lágrimas.
Deusa, menininha e mulher,
use a sua espada do mais puro ouro
para fender esse chão
essa terra, abrindo uma imensa fenda
de onde brotará
não água pura e cristalina
mas a lava mais ardente
e devastadora...
Menininha, Mulher, Deusa, Anjo,
Est, Mavantara, Pralaya
Esfinge, Senhora.
Quem és finalmente?
Está lançado mais um segredo
Insondável que jamais será revelado,
pois és feita de matéria
que não pertecence ao nosso Universo.
Data: domingo, 11 de novembro de 2007 03:22
Ontem/hoje, sábado/domingo dormi das duas da tarde e agora são três da manhã. Já que estou sem grana, não posso sair, sem dinheiro para cigarro e sem poder tocar em álcool (fígado) ou qualquer coisa que me deixe legal, só resta dormir. Abuso de medicação... Sonhei com minha antiga casa, de quintal e jardim. Com as roseiras de minha . Com o cachorro marrom (Twist). Com os pombos e coelhos. Com o pé de fruta de conde (quase senti o gosto). Com o muro feito de balaustres. Sonhei com cheiro do jasmim. Sonhei com a imensidão daquela sala de visita sempre arrumada e sem pó. Sonhei sem a minha infância. E a casa vazia... Acordei triste e com as minhas lembranças... acordei triste e só, porque a lembrança anda com mãos dadas com a saudade. Acordei triste e só como convém a aqueles que já não acreditam nas coisa deste mundo. Acordei com o vazio da minha existência... Acordei com o nada e para nada.
(...) o sal das lagrimas de tristeza é amargo O riso de quem é triste é como a maquiagem da boca de um palhaço. A voz é em falsete pois esconde um urro. Os passos, embora pareçam definidos, são como tropeços de um bêbado. A memória, trechos de pequenas alegrias, sublinhadas, nas entrelinhas, de dores cravadas em feridas que nunca cicatrizam. O momento, o agora, pura incerteza. O futuro: esperança com certeza de desilusões (...)