quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Pois fez tanto luar, ontem
Com a lua a desabar tão pesadamente sobre as árvores
que alguns pássaros cantilenavam, delicadamente
como anunciando um falso amanhecer.
A luz azulada atravessou a janela do meu quarto
e projetou através da cortina
estranhas figuras na parede amarelada pelo tempo...
Observei tudo em silêncio.
Respeitei a noite.
Engoli saliva e lágrimas e
entre pensamentos e calor nas mãos
cerrei os olhos, joguei uma manta para aquecer o frio dos meus pés,
guardei o sentimento
transformei em texto, e finalmente,
adormeci com o primeiro bater de asas e arrulhar
de um pombo que partiu de madrugada
sabe-se para onde...
Mais um dia.
Para uns, esperança.
Para outros, trabalho.
Para tantos, renovação.
Para mim, vazio.