quarta-feira, 6 de junho de 2007

São nestes dias frios e com chuva intensa,
com o céu carregado de nuvens e mais nuvens cinzas
e o silêncio imenso e torturante deste apartamento,
onde a única voz que se faz ouvir é a minha
quando começo a falar comigo mesmo,
sem que ninguém escute,
é que tento compreender
porque a solidão doí tanto dentro do peito
e as coisas,
por mais que pareçam ter sentido,
diluem-se na essência do existir
ao ponto de se tornarem nada
e restar apenas o vazio.

domingo, 3 de junho de 2007

Minha licença médica está terminando... A rede pública continua em greve. Terei que voltar à sala de aula. Confesso: Sinto-me como como um condenado sendo arrastado pelo carrasco ao patíbulo. Leiam a coluna de Marilene Felinto - Desaviso - Revista Caros Amigos. Em tempo: o texto de Felinto é bem antigo... os problemas também. Aguardo uma solução... acabou a minha capacidade laborial.
Ray Chales
Morreu Ray Charles. Fico sabendo disso pela TV. Vou até a estante do quarto em busca de alguns cds. Confiro as capas. Não tenho coragem, neste momento, de ouvir nenhuma das faixas embora quase todas estejam tocando na minha cabeça. Incrível essa sensação de ser órfão de alguém que não lhe conhece, mas que você conhece tão bem. Ouvi Ray Charles pela primeira vez, quase pré-adolescente. E foi então que "aconteceu" o meu "rito de passagem" seduzido pela música negra norte-americana. Se algo é forte naquela terra de "quem nem sabe quais são as fronteiras do seu próprio país" é o lamento, a força dos negros quando rasgam a garganta cantando o amor e as dores d'alma. Sei que hoje, insisto, estou mais uma vez órfão. E sem palavras...

Estre trecho eu escrevi assim que soube da morte do Ray, anos atrás (2004). Resolvi postá-lo. A sensação de orfandade ainda me acompanha...
Revela a tua tristeza
e andes com mãos dadas
com a sua companheira,
a solidão.
Deixa que está música
que te refletes tão bem
entre na tua alma
e te faça,
por um instante,
feliz.
Abençoa a tua existência
onde Deus se faz parecer ausente
e que por piedade
ou maldade, consente
que tu ainda vivas
mesmo que descontente.
Em um tempo,
esquecido,
eu te procurava
a noite, ao dia, a terra
ao mar.

enquanto isso o tempo me dizia
que eu tinha te perdido.

E foi nessa solidão
contida, amargurada, silenciosa
nessa solidão de angústia e amor
que além de te encontar
me perdi na busca do meu destino.

Afirmo: na busca de você
encontrei comigo
e por ter encontrado comigo
perdir-me na busca
do teu destino.