, e tomando Clarice, inicio este texto com uma vírgula para que você saiba que é um texto inacabado e como afirmariam os eruditos, inconsistente aristotelicamente. Não existe espaço, tempo. Apenas as sensações. Ouso assustar, traço persistente da minha personalidade, quem sabe doentia e delinear (como fosse possível) aquilo que ao se revelar se torna óbvio no cotidiano não nítido. No medo de perder as palavras recorro a estratagemas do uso das reticências. Permita-me, que a compreensão do eu consiste nas colagens e reconstruções: repito-me inúmeras vezes. Escrevo mais com as minhas reticências... falo mais com o meu silêncio. Sei que incomodarei pois o gosto das minhas verdades (invento-as) tem o sabor das raízes mais amargas. O profundo conhecimento do eu não pode ser refletido em um espelho, mas somente na íris da alma. Generalizando, o eu é de difícil significado. O eu é a verdade mais dolorida da existência de cada um ser o seu próprio ser em seu ínfimo ou infinita análise. Crispa-me a pele do mesmo modo quando um gato depara-se frente uma ameaça. Revelar-se é experiência ameaçadora: é como ser reparido, mas somente que, neste momento, você é o ser que dá a vida a si mesmo. Pergunto-me e pergunto-te: será isto um recriar? Penso: o que poderei revelar mas minhas verdades inventadas? Existir causa-me ânsias... e da mesma maneira pela qual comecei este texto poderei terminá-lo. Quero e não quero definir nada Não quero perdão. Não quero compreensão. Não quero compaixão. Quero o sentimento que não faz sentido, pois a existência (dorida) ainda, para mim, continua sem sentido. Digo que apenas sinto, e não delimito. Vejo necessidade, mas não a praticidade. Preciso do imediatismo às minhas respostas que surgem antes mesmo das perguntas. Antecipo-me, precipitadamente, a aquilo que nem sei o que quero pensar, falar, agir. Existe uma compulsão: sou impelido de maneira quase "transe-única" à catarse de um orgasmo do meu eu mais interior. Sinto (repetirei essa palavra inúmeras vezes e tantas vezes quando achar necessário) que me transfiguro na mais pura das substâncias ainda desconhecida e diluo-me em fragmentos de moléculas nas coisas que me cercam. Construo uma sinfonia a partir do seu intermezzo pois não sei o início e deixo que a intuição detenha-se na capacidade de achar ou não a necessidade de um final. Os instrumentos desta orquestra são personagens que surgirão e desaparecerão com ou sem motivos. Estou asfixiado em turbilhões de idéias aparentemente caóticas mas de um traçado matematicamente perfeito. No universo do eu as coisas não funcionam da maneira a qual foram determinadas a funcionar...