quarta-feira, 27 de junho de 2007

Balada para um anjo negro

Que eternamente seja considerado
como maldita desgraça e malfado
a noite de prazer condenado
e pútreo útero que fui gerado.

Desde o gênese, esperma amaldiçoado
como um filho de Caim, renegado
por vocês supostamente amado
como herança, este meu postulado.

A tantos causei e provoco desagrado
mas sempre fingindo e fugindo
por parias criado, mantido calado
para depois ser escravo dominado.

Quanto ódio agora, portanto, desregrado
um passado antigo e recente plantado
mergulho, passeio e me faço degredado
sendo hoje e sempre demônio transfigurado.
(a Charles Baudelaire)