quarta-feira, 27 de junho de 2007

Sem ponto final

O nosso encontro,
a aflição da hora,
o que vestir?
Que perfume usar?
(será que eu não exagerei na dose?)
A ansiedade...
suas ligações cobrando precisão britânica.
O bar, os cheiros de festa,
seus amigos.
O que falaremos?
De nosso passado ou do que iremos fazer,
desde momento em diante,
caminhando juntos
para o não sabemos onde.
As nossas neuroses,
reunidas sob o mesmo teto,
ou cercadas pelo mesmo muro,
o nosso futuro...
O que estará reservado para nós?
Será covardia o medo de ser feliz?
E falar verdades intrusivas,
desesperar pela ausência do outro.
Eu acho que tudo está por um triz.
E essa avalanche de palavras disfarçadas
medidas, comedidas
e o medo
o medo de não ser compreendido.
Desviar o olhar para não parecer inquisidor,
castrador.
Esse seu relógio,
com a pulseira danificada
chama tanto a minha atenção!
Provoca confusão,
desvia o rumo da conversa,
provoca risos e esperanças.
Vamos quebrar a formalidade.
Será a minha mente perversa?
Vamos ser mais moleques,
despir essas caras de trapaça,
(pelo menos me abraça!)
e vamos dar chance a esse sentimento
diluído, esquisito, antipático,
amorfo, indescritível
que insistimos em negar
e penamos por carregar
que funciona como droga
que fere e mata,
condena e vicia
tanto pela abstinência
como pelo excesso,
mas que nós não conseguimos viver sem
porque é a nossa verdade
(é a nossa falta de humildade?)
e que nos redime
da nossa servidão
e do nosso crime sem perdão.
Você sabe que detesto
rimas fáceis,
mas nos nos entreguemos,
desenfreadamente,
a nossa paixão.