quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Durante o período que antecede o Natal, percebo que algo de estranho pendura no ar, tal como nuvens pesadas, cor de chumbo e invisíveis. Transtornos nas ruas, gente preocupada com as compras, com as roupas para Natal e Ano Novo e ceias. Gasta-se como dizia Júlia, gasta-se "desembestadamente". Cada um coloca na própria face, uma máscara - que pode ficar colada a cara, segundo Fernando Pessoa - disfarçando o eu da pura hipocrisia. Enfeitam-se árvores, janelas, sacadas, prédios, caixas eletrônicos e padarias. E esquecem o verdadeiro sentido do Natal: perguntem as crianças o que se comemora no Natal. Elas respondem: é o dia de Papai Noel "dá um monte de presentes!" O aniversariante, juntamente com as suas palavras são esquecidos. Vê-se de tudo, menos um presépio. Deseja-se felicidade, prosperidade, saúde, tudo isso com um belo sorriso amarelo... Chego a triste constatação, (sou ecumênico ou outra categoria próxima) que sou mais cristão que muitos que andam por aí. Católicos e judeus ainda choram pelas crianças da hecatombe quase genocídio promovida por Herodes e pela traição de Judas. Mas agora eu pergunto: e as crianças que estão nas ruas? Será que possuímos uma leve fatia da perversidade de Herodes? Como sempre digo: Cristo só teve um Judas em toda a sua existência. Nós, somos os Judas um do outro. Durante nosso "lifetime" quantos Judas beijarão a nossa face?