quinta-feira, 13 de março de 2008

Em alguns momentos a vontade de escrever torna-se forte como um impulso, incapaz de ser controlado. Há uma ânsia incoercível, como a hora do parto, quando já não é mais possível carregar no ventre aquilo que medra. Viver, escrever em um impulso, sem fazer correções sejam elas quais forem e simplesmente deixar correr a pena (ou o teclado, para ficar uma coisa mais atual) e simplesmente escrever. Há um momento de pausa, para estruturar o pensamento e a vontade de escrever coisas loucas, aparentemente sem sentido, sem ordem e sem motivo. Escrever apenas, deixar fluir o que está escondido dentro do mais recôndito escaninho da alma. E, sem saber o que escrever, escreve-se. Será maldição ou não, porém, acho, que escrever tal como cantar e alcançar a mais agudas de todas as notas e deixar e deixar e deixar apenas que o já falado impulso permaneça.

O que posso fazer se essa vou esta vontade me toma de corpo e alma inteiro, vivenciando-me, fortificando-me me fazendo bem e feliz, mesmo que momentaneamente, nem que seja por minutos, apenas, e, mesmo sem saber sobre o que escrever apenas escrevo como vazão de um grande rio, que se desdobra em cataratas, em mangues, em águas que se conflitam em sua foz com o mar. Águas doces, águas salgadas, algas, cheiro de mar, noite de lua cheia e céus desabando estrelas. Apenas escrever, escrever e escrever.