terça-feira, 22 de julho de 2008

... e esse vazio, essa imensa vontade de pedir perdão não sei a quem. Porquê minha existência parece tão inútil. É preciso acreditar em algo mesmo que este algo seja tão frágil a ponto de não sustentar o peso do sentimento. É preciso dar vazão ao sentimento e que tudo isso faça sentido. Repito: a existência não me faz sentido. Vivo noites e dias sob as cortinas fechadas da minha alma. Busco o que não sei e olhando para trás só vejo as derrotas, as decepções, os dissabores, os conflitos de minha guerra interior.

... estou confuso e não quero permanecer nesse estado. Não é possível viver 24 por dia, 365 por ano, remoendo cada segundo e pensando em suicídio. Parece uma ausência de Deus ou uma força maior. Estou arquejante. Não acredito mais nos meus sonhos de outubros para uma rota ou fuga em direção a um futuro feliz. Impressiona-me a força que as pessoas possuem em querer viver enquanto espero na morte o consolo para os meus dias sem sorte. Por quê essa ausência, essa dor interior? Me sinto inútil ou descartável. O tempo, o senhor tempo, só acrescenta-me uma sabedoria amarga e um gosto de sangue. Essa ausência de fé, essa crise que não passa, essa quantidade de remédios, esse tratamento que não tem fim...

... estou fadado a fenecer em tudo em que eu tento criar e iniciar. Não consigo completar nada e o meu desespero se alimenta do meu desespero. Volto a repetir que é necessário pedir desculpas ou perdão não sei a quem, talvez a mim mesmo. A palavra que me persegue é o medo. Falta-me iniciativa para tudo. Falta-me força para praticar o ato derradeiro.

... vivo sem família. Aliás somente há pouco tempo perecebu que sempre fui só. Quando tomei conhecimento da minha orfandade essa se desdobrou em um imenso caleidoscópio de sentimentos, Tudo que junto são perdas. Sou irremediavelmente só. Acho que a maioria das pessoas tem medo de mim. Porque será que assusto tanto se eu sei que dentro de mim não existe esse monstro que parce tão visível para alguns?

... estou cansado. Estou muito cansado. Não quero passar o resto de minha vida tão sozinho. É pior que todas as dores físicas que já senti. As mutilações agora não são mais físicas. Estou carregando um peso imenso e o corpo já responde por isso. Noites longas de insônia e noites em que durmo e sou atormentado por pesadelos que se repetem durante toda a noite. Prefiro o sono profundo, induzido quando assim não recordo meus sonhos.

... pertenço ao mundo dos solitários. Inúmeras vezes permaneço calado por quase todo o dia. Não tenho ninguém para falar ou conversar, para contar sobre o filme que ví ou poder descrever um determinado trecho de uma música. Resta-me falar sozinho e a janela do quarto dos fundos, sob o olhares curisos dos gatos que me observam... as vezes, esses, os únicos olhares do dia.