quarta-feira, 23 de julho de 2008

Ingeri além da quantidade necessária de medicamentos. Estou sentindo naúseas que não são maiores que o mal estar existencial. Sinto frio. Deve ser efeito colateral do coquetel de medicamentos. Acordei mais uma vez em cólera. Não sei o que fazer com o que tenho nas mãos. Uma vontade de desaparecer, de dar fim a todas as minhas provas de minha existência sobre a terra. Assustei mais uma vez um profissional da área. A médica responsável pela minha avaliação na Junta Médica do Planserv pareceu-me segura, aconselhou-me sobre a uma nova proposta de vida. Falei das minhas tentativas de suícidio, inclusive, que cheguei a contratar um matador de aluguel para que ele fizesse o seu trabalho. Ele considerou-me como louco e ainda me convidou para partilhar algumas cervejas com ele. Isso é uma história longa. Mostrei meus pulsos cortados, ainda com pequenos pontos. Acredito que foi a primeira vez que um profissional deste escutou uma história desse tipo. Mesmo eu pagando ele recusou-se a fazer o serviço. Tornou-se quase um amigo e apesar da sua vida, era um excelente aprendiz de História. Amava Filosofia, alguns poetas portugueses, era protetor da natureza. Faleceu, vítima de homícidio em circunstâncias que nunca foram esclarecidas. Deixou como herança três belas árvores no parque Solar Boa Vista.