domingo, 26 de outubro de 2008

Por favor, não se assustem com o que eu escrevo. O meu blog tem esse nome “Confessional” e é exatamente isso. Minhas confissões, muitas delas veladas. Eu escrevo por desabafo. Ultimamente, nessa existência que considero como inútil, tenho tido tantos contratempos, indisposições, medos. Estou arquejante. Chamam os depressivos de egoístas porque, segundo muitos, é necessário ver a miséria dos outros para saber que somos felizes. É necessário a miséria africana para que eu fique feliz por não ter nascido lá. As pessoas ainda não entenderam que quando vejo a degradação dos seres humanos, a desgraça que assola os miseráveis me dá vontade de ser bicho. Os seres humanos são complexos. E acham, pela maioria das vezes que o simples fato de você nascer, uma glória de Deus. Eu não sei se é bem assim… Eu pergunto, Deus, mas que Deus???

Eu muito já li, mas não o suficiente, sobre várias religiões, seitas, sociedades religiosas e as vezes me assombro com o que leio. De todas as religiões, que conheço, é claro, carrego um pouquinho delas. Considero tantas pessoas que julgo como notáveis seres inspirados por forças harmônicas no Universo. Para mim não existe negativo nem positivo. A mesma força em diferentes situações pode ser positiva ou negativa (Ciência – Relatividade).

Algo que me incomoda é a solidão. Sem par, sem família (embora sanguínea negar-me isto). Não quero ser daquelas pessoas que de tanto julgar os outros esquecem que é imprescindível amar. Não falo do amor que inclui o sexo. É necessário amar algo ou preferencialmente alguém para que a vida se torne mais leve. Ao contrário de muitos poetas, escritores, compositores, dramaturgos que dizem que escolheriam tudo de novo se tivessem oportunidade de voltar no tempo, eu renegaria boa parte.

Já fui feliz um dia. Fui capaz de amar, com toda a minha intensidade alguém por mais de 24 horas, mas como disse Fernando Pessoa, “tudo foi pouco.” mas a intensidade valeu tal como se fosse uma eternidade (obrigado Vinícius de Morais). Por um tempo, “mais uma vez, mais de uma vez, quase que fui feliz.”

Desgaste de mim, desgaste da minha vida… Buscar ser feliz… Mas onde e como? Como disse Clarice (minha musa) é necessário que Deus venha e que venha logo antes que seja tarde demais.

Não tenho medo da morte (repito) só tenho medo da dor. Se existir um outro lado, outra dimensão (alguns chamam de Paraiso, Morada Eterna ou quaisquer denominações) que a coisa seja mais fácil.

É tão difícil acordar, depois de uma noite controlada por remédios e não ter a quem dizer bom-dia. E manter-me em silêncio durante parte do dia. As vezes só falo por volta das 13 horas, acordando as 06:00 da manhã. E aí cara, bate uma tristeza. Não consigo mais trabalhar na profissão a qual tenho formação. Entrar em sala de aula é meu Calvário.

Ando tão antipessoal que qualquer lugar cheio de mais e com barulho me irrita. Quando saio, chego ao ponto de descer no meio do caminho e tomar um taxi… Mantenho silêncio, mesmo que o motorista seja daqueles que gostem de futebol e fala sobre o campeonato de não-sei-de-onde porque não gosto de futebol. Alguns tem bom gosto musical. Já tive até oportunidade de ouvir Milles Davis dentro de um taxi. Fiquei tão surpreso… Até descobrir que o motorista era professor, abandonou o estado e comprou um taxi. Desistiu, igual a mim, de ensinar.

Li uma frase, supostamente atribuída a Madre Tereza de Calcutá, onde ela diz mais ou menos o seguinte: “Ame apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor sem explicação. A mais terrível pobreza é a solidão e o sentimento de não ser amado.”

Esse sentimento me acompanha… e com ele nas minhas mãos resta-me o que? A minha companheira é a solidão.

Você que leu isto até o final, o que tem a mim dizer? Poste a sua resposta.

Ainda mais Madre Tereza: “Se você julga as pessoas, não tem tempo de amá-las.”