quinta-feira, 13 de março de 2008

Depois da imensa vontade de escrever, hoje, li um artigo, que transcrevo abaixo sobre exatamente aquilo que estou sentindo. A minha história é mais ou menos essa. Não considero uma simples coincidência. As coisas possuem uma enorme força quando realmente estão prontas para acontecer (Caetano Veloso já afirmou isso). Transcrevo o que li, com os créditos devidos.


Conta-se que uma tigresa grávida, ao atacar algumas cabras que pastavam, não resistiu ao esforço e pariu. Exaurida pela luta e pelo parto morreu, deixando sua pequena cria entre estes animais. Assim o tigre cresceu e, sem uma outra referência, imaginou-se cabra, aprendendo aos poucos a alimentar-se de capim e até mesmo a balir. Tempos depois, já quase adulto, o rebanho de cabras entre as quais vivia foi novamente assaltado por um tigre e este, vendo um igual entre os animais que atacava, o acolheu. Surpreendeu-o, mostrando que o imperativo de sua vida era ser tigre e não cabra, rugir e não balir, descobrindo o gosto de sangue, alimentar-se de carne e não mais pastar. Sua obra educativa não foi fácil, acomodado a sua condição de cabra, pastando e balindo, custou um bocado para que o pequeno animal descobrisse sua identidade, sua força e em seu nome se fizesse tigre verdadeiro, mas, ao assim se transformar, descobriu-se e passou a olhar com desprezo e sem saudades sua tímida vida anterior.


Celso Antunes in: abceducatio, ano 6, fevereiro 05. Publicação mensal da Editora Criarp Ltda - Redação, Administração e Publicidade - São Paulo - SP.